Infoxicação

Por incrível que pareça, este neologismo não foi inventado agora. Foi criado pelo físico espanhol Alfons Cornellá em 1996, unindo as palavras informação e intoxicação, indicando um excesso de informação que não é “digerida” de uma maneira saudável e que pode acarretar em ansiedade, estresse, dispersão, entre outros males ao nosso corpo, mente e emoções.

Se ao final da década de 1990 este tema já fazia sentido, é perceptível que vinte anos depois faça ainda mais. Princialmente pela expansão da Internet e pelo modo como consumimos informação.

Além do fato da internet ter revolucionado os canais de divulgação de novos conteúdos, diluindo o poder detido pelas grandes mídias, alterando também a matriz de geração de informações. Ou seja, qualquer um pode produzir e divulgar informação, desde suas pesquisas, produtos e até mesmo fake news. Mas o foco deste post é sobre um tema correlato, é sobre como consumimos informação.

Se este universo emaranhado de informações tem estado, literalmente, na palma da nossa mão, de que maneira estamos aprendendo a gerir nosso consumo? Vale refletir sobre estes cinco aspectos:

  • O conteúdo que consumimos é relevante para nós?
  • Quanto tempo do dia passamos consumindo informação na rede?
  • Fazemos uso do pesamento crítico para filtrar o que consumimos e compartilhamos?
  • Sentimos algum efeito colateral (físico ou mental) deste consumo?
  • Como nossas emoções respondem às informações que estamos consumindo?

Acredito que não há dosagem correta que defina a quantidade indicada de informação para um dia. Somente nós podemos observar como anda nossa ingestão de fotos, memes, textos e vídeos para saber se ela está em níveis saudáveis ou tóxicos. A diferença entre comer um brigadeiro e uma panela dele é enorme; e, somente nós mesmos somos capazes de dimensionar o quanto podemos consumir, sem ter uma indigestão como resultado.

Não temos obrigação de saber tudo o que acontece no mundo a cada instante, até porquê não conseguiríamos mesmos. Estudos, como o realizado na Royal Society for Public Health mostram que as redes sociais podem ser ainda mais viciantes do que o álcool e o cigarro, por exemplo.

Além da quantidade, a qualidade das informações que devoramos também é relevante. Não só pela sua veracidade, mas pelo tipo de pensamentos e emoções que nos despertam. Observar o que nos “cai bem” ou não, é exercer o autocuidado. Eu já me peguei com pensamentos e emoções alterados depois de consumir uma série de informações sobre a política atual. Logo me peguei pensando, tudo bem ler para me manter informada, mas ler vários conteúdos sobre o mesmo tema não me fizeram saber mais. Então respirei, respirei de novo, desliguei a telinha e fui fazer algo que me trouxesse bem-estar, como brincar com meu filho.

Em outro post sobre Soft Skills, já destaquei que nos informarmos e adquirirmos novos conhecimentos são importantes para a resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade. Mas equilíbrio é a palavra chave! Saber sobre o mundo que nos cerca e sobre nós mesmos é ótimo, mas viver é ainda mais estupendo!

Em tempos de distanciamento social, o consumo de informação tem sido uma companhia agradável para muitas pessoas. Aqui, a questão não é só destacar seu lado nocivo que pode gerar Infoxicação, mas sim te convidar a pensar no Consumo Consciente! Pensar sobre quanto tempo temos dedicado a consumir informação e em sua qualidade, é primordial para passarmos por este desafio do momento atual. Escolher o tipo de conteúdo que estamos lendo, vendo e ouvindo pode tanto nos ajudar a estar com as emoções mais harmonizadas, ou o contrário. Basta escolher qual estação desejamos sintonizar!

Fazer pausas para conectar com as pessoas que gostamos (mesmo que virtualmente), tirar um tempo para cuidar de si mesmo e da casa, sentir a natureza com o pé no chão ou regar a plantinha da sacada, olhar pela janela, escutar uma música ou também não fazer nada. Estas e tantas outras tantas opções estão a nossa disposição, a vida (definitivamente) não é só consumir, sejam produtos ou informação.

Lembrando que nem sempre mais é mais. As vezes, “mais” é só um acúmulo de coisas que vão lotar nossos armários da mente, mofar as emoções e nos deixar Infoxicados!

Libera espaço aí, respira e não pira!

Um abraço,

Ana Barcellos

Criatividade

Apesar de estar elencada como a terceira habilidade socioemocional mais importante para 2020, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, acredito que ela deveria  estar no topo. Pois sem desenvolvermos esta Soft Skill, teremos mais dificuldades em resolver problemas complexos ou ter pensamentos críticos e uma melhor argumentação, que são as duas habilidades que vem antes desta. 

Contudo, independente da posição em que seja colocada, entender o que é a Criatividade e nos apropriarmos do processo criativo é um diferencial não só para nossa carreira, mas também para alcançarmos uma vida mais repleta de significado. 

Aqui, me refiro à Criatividade em sua forma mais genuína, longe da leitura enviesada na qual sua imagem foi construída ao longo da história, que a colocam na posição de um dom supremo, presenteado pelo universo a somente alguns mortais.

Em seu livro “Somos Todos Criativos”, Ken Robinson apresenta de maneira genuína o trajeto da criatividade na história da nossa sociedade e da educação, que relegaram esta habilidade a somente algumas áreas de conhecimento, como por exemplo: as artes. Além deste desmembramento histórico, Robinson ressalta a urgência em revisitarmos nosso potencial criativo e fazermos dele uma ferramenta cotidiana nas nossas relações com o mundo, citando que 

“É pelos sentimentos, assim como pela razão que encontramos nosso verdadeiro poder criativo. É por ambos que nos conectamos uns com os outros e criamos os complexos e mutáveis mundos da cultura humana”. 

A criatividade, é esta força inspiradora, nata de todo ser humano, que nos fez inventar a roda e o byte, por meio do lúdico e da ciência. Que nos ajuda a criar soluções para os pequenos problemas do cotidiano e, também, para os problemas mais complexos, que tanto os cientistas quanto as empresas tentam desvendar. Além de todos os resultados concretos que criatividade traz a nossa vida, na formas de descobertas científicas, inovações nos negócios, na arte que colore nossas vidas, ela também é apresentada em diversas pesquisas como fonte de benefícios para nossa qualidade de vida. 

Estudos, como o da Associação Americana de Arteterapia, apontam para a significativa redução no nível de cortisol no nosso corpo após a execução de atividades criativas. Ou seja, o simples ato de fazer desenhos em um pedaço de papel de maneira livre, pode ser um antídoto contra o stress. Já testou fazer uma pausa criativa quando suas idéias para resolver um problema não estão fluindo? 

Neste breve texto, não desejo simplesmente apresentar técnicas e teorias que embasam o desenvolvimento dessa importante Soft Skill. Quero te convidar para visitar os recantos da tua existência e se conectar com todo o potencial criativo que já está aí.

Como seres humanos, somos dotados dessa habilidade desde o nascimento. Somos capazes de criar novos negócios, novos produtos e principalmente novos caminhos para a nossa jornada.  Somos cocriadores de todas as realidades que escolhemos experimentar. Somos criativos por natureza. E citando a natureza, te convido a observar uma flor. Ela não precisa se esforçar de maneira proposital para criar cada folha ou cada pétala, ela simplesmente existe. Todo seu potencial criativo já está lá. 

Assim como as demais Soft Skills, a Criatividade pode sim ser desenvolvida e aprimorada. Para isto, abrace sua vulnerabilidade, permita-se ser você, permita-se errar. Não é possível vivermos de maneira plena e com ousadia ao mesmo tempo em queremos nos proteger com o escudo do perfeccionismo. Como ressalta Brenè Brown, no livro “A coragem de ser imperfeito”:

“O perfeccionismo esmaga a criatividade – e é por isso que um dos meios mais eficientes de abandonar o perfeccionismo é começar a criar”. 

Comece pelas atividades em que você já se sente à vontade para criar, seja desenvolvendo uma ideia de negócio, uma receita inusitada ou um novo poema. A partir do momento em que baixamos as barreiras do que nos bloqueia, a criatividade acha espaço para fazer morada em nossas vidas e contagia as demais áreas da nossa vida. 

Para ajudar neste caminho de despertar criativo, deixo algumas dicas: mantenha viva a sua criança que é curiosa e liberta de julgamentos; esteja disposto a aprender, desaprender e reaprender sempre; mantenha-se sonhador e liberte sua imaginação; abrace a felicidade que vem das coisas simples e se embriague de natureza.

A criatividade vem da conexão verdadeira com tudo o que somos, com toda a bagagem que já trazemos de conhecimentos e com o universo que nos cerca. Conexão, esta é a palavra-chave desta Soft Skill. Sendo assim, desenvolver esta habilidade é um ato de auto-empatia, de começar mergulhando em si mesmo e ao mesmo tempo sobrevoar um mundo possibilidades.

Das inúmeras descrições desta Soft Skill, uma das que mais me encanta é de Einstein:

“Criatividade é a inteligência se divertindo”.

Então fica aqui o meu convite:

Permita-se. Criative-se.

Um abraço, 

Ana Barcellos

Pensamento Crítico

Não é a toa que o Fórum Econômico Mundial elencou a habilidade do Pensamento Crítico como a 2ª mais importante para 2020. E engana se quem acredita que esta habilidade está ligada ao simples e contínuo ato de criticar. Veja bem, no Pensamento Crítico, a palavra pensar vem antes da palavra criticar.

O Pensamento Crítico pauta-se nossa capacidade de conhecer profundamente um tema, ser capaz de analisar as diferentes variáveis que englobam uma determinada questão e tecer uma análise aprofundada  sobre a mesma. E somente depois desta análise, identificar de maneira crítica as melhorias que podem ser implementadas.

Portanto, quando fazemos uso da nossa capacidade de apenas criticar um fato, estamos envoltos, na maior parte das vezes, em apenas tecer opiniões pouco aprofundadas. Aqui, de forma alguma afirmo que não é importante termos opiniões sobre nós mesmos ou sobre o mundo que nos cerca. 

Mas quando estamos nos referindo à habilidade de ter Pensamento Crítico, descobrimos que podemos sustentar a nossa opinião com embasamentos e observações mais elaboradas.

O Pensamento Crítico é enriquecido pela capacidade de sermos flexíveis e abertos a aprender continuamente. Já que a rigidez cognitiva e uma simples teimosia, vendam nossos olhos para entender diferentes aspectos de uma determinada questão, assim como nos impedem de aprender novas maneiras de compreendê-la. Além disso, vale ressaltar a importância de desenvolvermos um olhar liberto de interpretações pessoais, é preciso saber olhar “do lado de fora” para realmente entender o que acontece dentro de um determinado problema. 

Um exemplo que podemos dar, é quando alguém simplesmente crítica um determinado processo dentro de uma empresa, mas não propõe uma avaliação detalhada e nem soluções de melhoria. Neste caso, o ideal é que se estude o processo, reconhecendo todas as variáveis que o envolvem, identificando as possíveis falhas, assim como os ajustes que podem ser feitos para aprimorar o mesmo.

Em nossas vidas, podemos fazer este mesmo exercício. Invés de simplesmente autocriticar-se sobre um determinado hábito ou modo de ser, podemos aprofundar nosso autoconhecimento e identificar por que agimos desta ou daquela maneira. E com uma boa dose de autorresponsabilidade, elencar as principais ações que pode descortinar novos caminhos e oportunidades para uma vida mais plena e direcionada a nossa verdade interior.

Arte de argumentar está diretamente ligada habilidade do Pensamento Crítico. Argumentar, não é vociferar nossas opiniões. Nem tão pouco tentar convencer as demais pessoas  de que nossas opiniões estão corretas. 

Argumentar, é sim, sustentar as nossas visões em bases sólidas, resultado de estudo e compreensão científica.

Ao passo que compreendemos esta habilidade, podemos entender por que ela é tão importante. Já que para inovar e resolver problemas de maneira criativa, precisamos ter domínio do entendimento da maneira como as coisas acontecem, para então propor uma nova forma de execução.

Para desenvolver esta habilidade a primeira dica é: mantenha-se sempre curioso! Amplie seu olhar sob diferentes ângulos. Desenvolva a compreensão lógica, ela se faz necessária se desejamos ter um entendimento imparcial dos problemas que desejamos resolver. Outra dica relevante para o pensamento crítico é investir no aprimoramento da inteligência emocional, seja por meio da empatia, que ajuda a entender o mesmo ponto sob diferentes óticas, assim como reconhecer e administrar as emoções que surgem a partir dos desafios que vivenciamos. 

Se fazer mais do mesmo, não nos leva a lugares diferentes daqueles que já não desejamos estar, é preciso que conheçamos bem cada passo que temos dado, para então criar um novo ritmo de caminhada, seja enquanto na nossa jornada pessoal, empresarial ou como  sociedade.

O modo de pensar binário, linguagem própria dos computadores, já é dominado pela inteligência artificial. Então pensar de maneira crítica, é reforçar nossa capacidade humana de verdadeiramente Pensar.

Desejo que possamos elevar nossos pensamentos, construir novos argumentos e desenhar soluções criativas e inovadoras para o mundo no qual desejamos viver.

Um abraço.

Ana Barcelos

Empatia

Dentro das Soft Skills elencadas pelo Fórum Econômico  Mundial está a Inteligência Emocional. Que descrita por Daniel Goleman, pauta-se em cinco pilares: conhecer as próprias emoções, controlar as emoções, automotivação, empatia e saber se relacionar interpessoalmente. 

Dada a relevância da Empatia nas nossas relações pessoais e profissionais, assim como o impacto positivo que o desenvolvimento desta habilidade pode gerar em nossas vidas, optei por descrevê-la com o destaque que merece. 

A empatia pode ser compreendida como a habilidade de compreender a necessidade do outro e de olhar o mundo pela perspectiva do outro.

No mundo corporativo, por exemplo, utilizar a ferramenta de Mapa da Empatia, ajuda a compreender quais as reais necessidades dos clientes externos e internos, para que assim definam-se soluções mais alinhadas com estas necessidades. 

Chuang-Tzu, filósofo chinês, afirma que “ouvir com os ouvidos é uma coisa, ouvir com o intelecto é outra. Mas ouvir com a alma não se limita ao único sentido”.

Sendo assim, a empatia surge quando deixamos de lado todos os julgamentos e todas os idéias preconcebidas. Passamos a respeitar, verdadeira e profundamente, o ser humano que está a nossa frente.

Então, ter empatia não é simplesmente ouvir, mas sim escutar atentamente, com a mente e o coração abertos.

Geralmente, ao ouvir o outro acabamos por aconselhar, contar histórias, encerrar o assunto, ficar se explicando, corrigir ou ainda iniciar um interrogatório sem fim. Na maior parte das vezes, este tipo de atitude não acontece por uma má intenção. Só que quando assumimos papéis de pseudo terapeutas, por mais bem intencionada que seja esta atitude, internamente estamos envoltos em um processo de julgamento. Quando, na verdade, o que precisamos é simplesmente: escutar.

Grande parte dos ruídos de comunicação surgem da falta de empatia por um dos interlocutores ou ainda, por ambos os lados. Muitas vezes, perdemos a oportunidade de sermos empáticos em função da nossa tendência inconsciente de buscar a compreensão intelectual durante a escuta. No momento em que sistematizamos a escuta simultânea à intelectualização, deixamos de nos conectar com as pessoas e suas palavras.

O tema central da empatia é a presença.

É esta presença real que diferencia a empatia de outros comportamentos ou habilidades como a compreensão mental e a solidariedade.

Outra tendência que nos afasta da empatia é perceber as mensagens recebidas como sendo ataques pessoais. Quando na verdade, a mensagem recebida pode ser apenas compreendida como meio de expressão dos sentimentos, das necessidades e dos pedidos do nosso interlocutor.

Contudo, só podemos dar ao outro aquilo que temos dentro de nós mesmos. 

Sem generalizações, observa-se que quando uma pessoa está com dificuldades de exercer empatia pelo outro, é muito provável que esteja carentes de receber esta mesma empatia. Teremos mais dificuldade em compreender as necessidades e sentimentos dos outros, quando a conexão com os nossos próprios sentimentos e necessidades está sendo desprezada, seja por nós mesmos ou pelas pessoas em quem confiamos. 

Ao recebermos esta presença e esta escuta ativa de nós mesmos,  começamos a praticar a auto-empatia. E assim, conseguimos ampliar esta habilidade para melhorar nossas relações com as outras pessoas também. A auto-empatia se refere à real atenção ao que acontece dentro de nós. Quanto mais nos tornamos hábeis em escutar o que sentimos e necessitamos, mais estamos preparados para escutar quem está o nosso redor.

Como qualquer outra habilidade, a empatia se fortalece pela prática.  Talvez, tenhamos dias em que conseguimos exercer uma maior empatia do lado de dentro e de fora. Talvez, em outros, a dificuldade seja maior. Mas a prática nos levará à maestria, e aos poucos vamos trazemos mais leveza a todas as nossas relações. 

Entrar em um estado de empatia revela que estamos tocando a nossa humanidade e a do outro, percebendo as qualidades que todos nós temos.

Se a empatia é presença,  desejo que possamos presentear, cada vez mais, aos que nos cercam e a nós mesmos com esta habilidade.

Um abraço, 

Ana Barcellos

Flexibilidade cognitiva

A habilidade de Flexibilidade Cognitiva é indicada pela nossa capacidade de passarmos de um conceito para outra com agilidade, agregando o processo de aprendizagem contínua em diferentes áreas do saber.Ter flexibilidade cognitiva quer dizer ter agilidade mental e para isso é preciso aprender a aprender.

O mundo contemporâneo já foi apelidado de VUCA, que traduzido do inglês indica que ele é volátil, incerto, complexo e ambíguo. E qual será o papel da aprendizagem neste cenário? Cito Alvim Toffler para responder esta questão: “Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles não sabem aprender, desaprender e reaprender.”

Mas, qual o caminho para desenvolver a Flexibilidade Cognitiva? 

Desaprender, aprender a aprender, reaprender. 

Desaprender, representa nos desapegarmos de afirmações que não fazem mais sentido no contexto atual. Sejam elas crenças e hábitos que limitam nossa evolução ou mesmo técnicas que não cabem mais nas rotinas atuais. Ao aprendermos a aprender, trazemos à consciência as maneiras mais adequadas ao nosso estilo de aprendizagem, bem como  potencializa o processo de aquisição de conhecimento por meio de técnicas e vivências sintonizadas ao nosso perfil. E reaprender, que simboliza nos abrirmos a novos e diferentes saberes, assim como desenvolvermos novas maneiras de fazer o que acabamos fazendo no piloto automático. Afinal de contas, o mundo sempre esteve em constante evolução, e nós humanos também.

Podemos ampliar nosso acesso ao conhecimento por livros, filmes, cursos, novas conexões pessoais, exercícios, observando a natureza e tantos outros caminhos neste imenso universo virtual. Ah, e sem esquecer do sono! Tanto a quantidade, como a qualidade de sono são imprescindíveis para mantermos nossas mentes saudáveis e assim mais ágeis e curiosas. Afinal de contas, não somos máquinas. 

Como comentado no artigo sobre Resolução de Problemas, estes se apresentam de maneira cada vez mais complexa, diferentes variáveis passam a fazer parte de um mesmo problema, que por sua vez aceitam múltiplas soluções. Deste modo, desenvolvermos nossa flexibilidade  cognitiva, aumenta a capacidade de observarmos os problemas, estabelecer diferentes conexões entre as informações que detemos sobre o tema e propor soluções mais criativas e eficazes. 

Por outro lado, a rigidez cognitiva é demonstrada pela dificuldade de passarmos de uma esfera de pensamentos para outra, nos mantendo cristalizados na mesma maneira de ser e agir, nos tornando resistentes às mudanças e aos estímulos naturais de evoluirmos enquanto seres humanos.

Soluções inovadoras vem quando conseguimos enxergar algo sobre uma nova perspectiva e uma nova combinação de fatores, sendo que isto só é possível quando temos esta flexibilidade de pensar e criar.

Assim, desenvolver a flexibilidade nos prepara para encontrarmos as soluções mais eficazes quando nos deparamos com dificuldades inesperadas e também reestruturar atuais limitações em novas formas de pensamento, mais saudáveis e alinhadas com nossas verdades interiores. É como ser o dono do controle remoto do seu cérebro e ainda poder ampliar a quantidade de canais disponíveis. Se desligar daqueles pensamentos que rodam como discos velhos e furados. 

Ser flexível é se manter adaptável. A rigidez se desfaz. É como alongarmos nossa capacidade de saber e criar novas conexões entre diferentes conhecimentos. Como resultado, ampliamos nossas percepções, nossas possibilidades de atuação profissional, além de tornar nossas experiências muito mais interessantes.

Nos fecharmos em caixinhas de conhecimento específico já não cabe mais neste início do século XXI. Mesclar diferentes conhecimentos de distintas áreas amplia nosso repertório, o que nos capacita também para sermos mais criativos e inovadores. Por exemplo: você é da área de Tecnologias da Informação e amplia seus conhecimentos nas área de Marketing. Já pensou entender que a necessidade do cliente está no centro de todas as decisões de uma empresa e assim poder criar soluções que atendam estas necessidades de maneira mais assertiva? Ou você, que busca seu autoconhecimento por meio de práticas de atenção plena e começa a ler sobre neurociência para aprender sobre como nossa mente funciona? 

Já pensou em quantos vôos mais amplos podemos dar quando nos dispusemos a abrir outras janelas de conhecimento?

E podemos fazer isto já! Comece um novo livro em uma área que você tem curiosidade e ainda não explorou, converse com pessoas diferentes do seu círculo de amizade, permanecendo aberto aos seus pontos de vista e tenha uma noite revigorante de sono. Exercite sua flexibilidade, abra sua mente, como quem abre os braços num belo alongamento!

Um abraço,

Ana Barcellos

Resolução de Problema Complexos

A Resolução de Problemas foi elencada como a Soft Skill número UM pelo Fórum Econômico Mundial para o ano de 2020. Aumento populacional, fim de alguns empregos e criação de novas profissões, internet das coisas, novos produtos e mercados, incertezas econômicas e políticas, estas são somente algumas das características do cenário atual. Marcado por mudanças exponenciais que apresenta problemas cada vez mais complexos, que requerem soluções mais eficazes e inovadoras. 

Por certo todos nós enfrentamos problemas na nossa jornada profissional e pessoal, não é mesmo? 

As empresas contratam nossos serviços para resolver seus problemas. Estas, por sua vez são contratadas para resolver os problemas de seus clientes. E no nosso dia a dia, enfrentamos os mais diversos desafios. Ou seja, neste emaranhado de problemas que aguardam uma solução, ser um bom resolvedor se traduz na capacidade de atendermos essas demandas, por meio do uso dos nossos conhecimentos técnicos, de ferramentas específicas e de habilidades socioemocionais.

Na nossa vida pessoal não é diferente. E para que possamos resolver um problemas, o primeiro passo é identificarmos se o problema em questão é simples, complicado ou complexo. Um problema simples é aquele que dispõe de poucas variáveis ou seja são mais fáceis de serem resolvidos, dependem muito mais de nós mesmos do que do ambiente externo. Nestes temos uma única causa e somente uma solução possível. Por exemplo, se estamos com sede solucionamos este problema tomando um copo de água. 

Já os problemas complicados, são aqueles que necessitam de uma solução específica ou seja um profissional especialista para sua resolução. Para ilustrar este tipo de problema pode vamos imaginar uma pane elétrica em uma máquina. Tudo o que se necessita é um técnico que tenha conhecimento deste tipo de máquina e na sua parte elétrica. Neste casos, basta que se tenha conhecimento de qual a causa raiz do problema, para que se busque as competências técnicas mais eficazes para solucionar o mesmo. 

Por fim, os problemas complexos, englobam uma quantidade muito maior de variáveis e a maioria delas são incontroláveis ou seja não estão na mão de quem está tomando decisão para resolver este problema. Nestes, a causa e o efeito apresentam relações de interdependência. Por isto, nos cenários de problemas complexos o planejamento ocorre num ambiente de incertezas e o ideal é ir na lógica do fail fast, falhar rápido e em uma escala reduzida,  para que possa realizar os ajustes necessários. 

Um exemplo de problemas complexos é o lançamento de um novo produto. Você já pensou em todas as variáveis que estão presentes nesta ação? Além de analisar a capacidade da empresa em produzir este novo produto, do mercado apresentar demanda, da existência de fornecedores para todos os insumos, ainda deve-se avaliar a relevância da concorrência e uma série de indicadores macroeconômicos que influenciam direta e indiretamente no cenário como um todo. Agora pense, quais destas variáveis são totalmente previsíveis e controláveis por parte da empresa? Realmente temos um problema complexo em busca de soluções! 

Para realizar a resolução de um problema complexo é fundamental que tenhamos a clareza de qual sua causa raiz, investigar sobre quais são as forças propulsoras deste problema deve ser prioridade antes que seja aplicada qualquer tipo de solução.

Diversas ferramentas e métodos podem auxiliar no entendimento da causa, como por exemplo o Diagrama de Ishikawa, criado dentro da lógica do Sistema da Qualidade, mas que também pode ser utilizado para os mais diferentes problemas, inclusive para os pessoais. Após conhecer a causa, diferentes métodos podem ser utilizados para que se desenhem soluções viáveis, como o PDCA (plan, do, check, act), o Design Sprint ou o Design Thinking

Agora um recado bem importante, somente conhecer ferramentas ou do métodos não nos torna bons resolvedores de problemas. A diferenciação de um profissional que busca desenvolver esta Soft Skill e aquele não o faz, está em sua atitude frente aos problemas que surgem cotidianamente em seu caminho. 

A realidade é que os problemas são cada vez mais complexos, já que o mundo traz cada vez mais incertezas ao mercado e às nossas vidas. E o que você faz com esta realidade? De uma maneira geral, ao nos depararmos com um problema podemos encará-lo de frente, jogar este problema no colo de outra pessoa ou tentar solucioná-lo de qualquer jeito sem resolvê-lo por completo ou ainda piorando a situação inicial.  É por isto que a habilidade em ser um eficaz resolvedor de problemas ocupa o topo da lista de Soft Skills, precisamos de pessoas dispostas e preparadas para abraçar as adversidades e criar oportunidades a partir delas. . 

As empresas e o mundo precisam de soluções assertivas e criativas. 

Desenvolver esta habilidade pede que não tenhamos medo de errar e de inovar, de pensar criticamente e propor alternativas reais. Estar aberto a receber feedbacks e realizar uma escuta ativa às sugestões e visões de outras pessoas também pode ampliar as possibilidades de compreender melhor um problema. E sempre, sempre, estar aberto à aprender. Assim como qualquer outra Soft Skill, a Resolução de Problemas Complexos também é uma habilidade que pode e deve ser desenvolvida.

Torne-se amigo dos problemas e encare-os como aliados no seu desenvolvimento. Sempre há o que aprender com as adversidades que surgem na nossa jornada!

Um grande abraço,

Ana Barcellos

Autoconhecimento

Resolvi começar por esta Soft Skill, pois acredito que o primeiro passo para buscarmos o desenvolvimento de nossas habilidades deve ser o de olhar para dentro de nós mesmos e observarmos o que já trazemos dentro da nossa bagagem. 

Comecei no caminho do autoconhecimento ainda na adolescência, observando as inúmeras transformações que aconteciam nesta idade, sempre buscando compreender quais eram as características que me definiam e como eu poderia me relacionar melhor comigo e com o mundo externo. E como a curiosidade sempre foi um das minhas características, esta jornada vai se intensificando a cada passo, já que com a maturidade vamos olhando nossa história e o mundo com outros olhos.

O autoconhecimento pode ser compreendido como a habilidade que desenvolvemos ao trazer a consciência as nossas fraquezas e virtudes e, assim, realizamos nossas escolhas sabendo que cada tomada de decisão está ligada à nossa história, crenças, valores, medos, bloqueios, hábitos, buscas e gostos. Deste modo, passamos a compreender como pensamos, como agimos, o que sentimos e como nos relacionamos com o eu e com o outro. 

Investir no autoconhecimento é ter retorno garantido. Já que, no momento em que nos conhecemos com profundidade, somos capazes de dimensionar o que move cada uma das nossas decisões e assim aproximá-las do caminho que nos leva onde, verdadeiramente, queremos estar.

Nesta balança entre virtudes e fraquezas, em geral, as pessoas tendem a se focar muito mais nas fraquezas. Faz parte da construção social, darmos foco naquilo que precisamos aprimorar, no que podemos fazer melhor, no que ainda não temos ou somos. Não há nada de errado em olharmos com sinceridade para estas dificuldades, encaramos o fato de que somos imperfeitos e assim definirmos o que precisamos desenvolver para alcançar nossos objetivos. Umas das formas de identificar as fraquezas é responder sobre quais tarefas temos maior dificuldade em realizar, que tipo de conteúdos custamos a aprender e quais atividades acabamos nos esquivando sempre que possível. Estas respostas dão algumas dicas de onde residem nossos desafios pessoais. Todo este processo deve ser acompanhado de autoaceitação e autorresponsabilidade, evitando que sejamos críticos exacerbados ou que acabemos por empurrar a responsabilidade destas limitações para outras pessoas.

Imagine-se cometendo um erro no trabalho. Você pode escolher entre ficar se martirizando, se sentindo diminuído e até paralisando. Ou pode optar aprender com este erro e desta maneira identificar o motivo dele ter ocorrido e corrigir na próxima tentativa. Imagine-se tendo uma explosão de raiva e magoando alguém que ama. Você pode sentir-se envergonhado, dominar-se pelo orgulho e não pedir desculpas. Ou pode entender o que motivou esta raiva, aprender a gerenciar suas emoções e desenvolver formas de expressar o que sente de maneira mais harmônica. 

Somos nós quem escolhemos onde depositamos nossa atenção e nossa energia. Lembrando que o que concentra seu foco, expande! 

Da mesma forma, é importante investirmos nossa atenção e foco nas virtudes já estabelecidas. Visto que, se só observarmos os nossos pontos fracos, a possibilidade de nos sentirmos incapazes e infelizes aumenta consideravelmente. Em vez de só focarmos no que nos falta, podemos também reconhecer as nossas forças, saindo de uma mentalidade de escassez para uma mentalidade de abundância. Lembrando, que o equilíbrio é palavra de ordem. Você também não estará se desenvolvendo se observar somente seus talentos e virtudes, acreditando que não há nada que possa evoluir em sua vida pessoal ou profissional

Observar nossas virtudes é um desafio tão grande quanto olhar para o outro lado. Trazer à consciência os nossos talentos e qualidades é também um processo de autoconhecimento, já que assim podemos aproveitar melhor nossas forças e também estruturar maneiras de ampliá-las. Algumas pessoas relatam que se sentem bloqueadas quando são convidadas a elencar suas reais qualidades. Para ajudar a identificar quais são as suas, reflita sobre quais atividades você tem prazer em realizar, aquelas que em que você não vê o tempo passar. Pense sobre os elogios que você recebe e sobre as atividades que seus colegas e pessoas próximas pedem sua ajuda ou conselho. Identifique também o que você costuma aprender com facilidade. Ao reconhecer algo que fazemos bem, somos capazes de identificar quais as habilidades empregadas para este fim. 

Ao identificar suas qualidades humanas, abuse do seu uso. Nada de deixar aquele talento e virtude empoeirando na gaveta, seria um desperdício. Quanto mais fizermos uso das nossas virtudes, mais potencializamos nossas forças. Quando enxergamos o que brilha em nós mesmos, passamos a enxergar melhor o que brilha no outro e assim tornamos nossas relações profissionais mais eficazes e nossa vida pessoal mais leve. 

Após estes dois exercícios, você já pode aproveitar para montar uma lista das suas principais virtudes e fraquezas, tomando ciência de que pode cultivar e potencializar sua relação consigo mesmo, com o trabalho, com as pessoas a sua volta e com a vida. Mas esta é só uma breve pincelada entre todos os caminhos que podemos utilizar para nos conhecermos melhor. Seja por meio de livros, filmes, conversas, cursos, meditação, ferramentas estruturadas ou do auxílio de profissionais,  lembre-se sempre que o mais importante é fazer este mergulho de alma e mente abertas, sem julgamos e com muita auto-compaixão.

Esta é uma jornada e tanto, daquelas infinitas e eternas, mas diferente de algumas em que o pote de ouro está só no fim da estrada, o autoconhecimento nos presenteia com tesouros espalhados por todo o caminho. 

Eu te desejo iluminados passeios aí por dentro!

Ana Barcellos

Soft Skills

Como economista um tema que sempre atraiu minha atenção foi o Mercado de Trabalho, seja nas relações de troca que se expressam neste mercado, nas características empreendedoras ou nos desafios enfrentados pelas formas alternativas de produção, como as cooperativas. No cerne destas questões, o Capital Humano, ou seja, as competências e habilidades utilizadas na geração de valor, são as que mais me chamam atenção, pois são parte relevantes das variáveis controláveis capazes de levar um negócio ou uma carreira ao sucesso ou ao fracasso. 

Com a inserção da Inteligência Artificial as relações de produção de bens e serviços têm se alterado paradoxalmente. Realidade que historicamente já foi vivenciada nas Revoluções Industriais anteriores, contudo, desta vez, experimentamos uma velocidade exponencial das mudanças trazidas pelas novas tecnologias. São inúmeras as profissões que estão desaparecendo, outras vão sendo reconfiguradas e tantas outras têm surgido, exigindo habilidades diferentes das que eram até agora imprescindíveis. Talvez, há dez anos atrás não imaginaríamos que um piloto de helicóptero e um cinegrafistas, seriam substituídos por um drone, para fazer a cobertura de vídeo áereo para uma reportagem.

Na semana passada, precisei ir ao banco, coisa rara hoje em dia, e no caixa (humano) solicitei a transação que eu precisava e o atendente fez tudo usando um par de cliques. Lembrei de quando eu era criança e ia ao banco com meus pais. Para um simples saque, os atendentes saiam do balcão, se deslocavam até um arquivo com milhares de fichas e voltavam com a que indicava a conta dos meus pais. Então, verificavam o saldo e entregavam a quantia de dinheiro, anotando na tal ficha o valor sacado e o quanto havia ficado na conta. Agora, pensando nas habilidades que este atendente deveria ter na época e quais deve ter agora, o que será que mudou?

Você consegue imaginar alguma profissão que não tenha sido impactada, diretamente ou indiretamente, pelas novas tecnologias? 

Entre estas mudanças, está o fato de que muitas das competências e habilidades puramente técnicas, que eram vistas como diferenças nos currículos, hoje já não são capazes, por si só, de sustentar a trabalhabilidade neste início do século XXI. Em geral, estas são de fácil mensuração e podem ser descritas, como as qualificações acadêmicas que colocamos nos nossos currículos, por exemplo. Estas habilidades, as hard skills, não perdem sua importância, de forma alguma. Mas sozinhas, já não são suficientes no desenvolvimento da nossa trajetória de carreira. 

De maneira geral, as pessoas são contratadas pelas suas hard skills. Mas o que define se serão demitidas, promovidas ou permanecerão onde estão, são suas Soft Skills. Então o que são estas Soft Skills?

As Soft Skills, são as chamadas habilidades socioemocionais, aquelas que utilizamos para nos relacionar com os outros e com nós mesmos.

Por serem subjetivas, são muito mais difíceis de avaliar, mas influenciam diretamente no nosso comportamento profissional e pessoal, e desta maneira, afetam o ambiente corporativo, a produtividade das equipes e a relação com clientes e fornecedores.  Estas habilidades são fundamentais na adaptação de situações adversas e na geração de soluções criativas e sustentáveis. 

O Fórum Econômico Mundial, para o ano de 2020 elencou as principais Soft Skills nesta sequência: Resolução de problemas complexos, Pensamento Crítico, Criatividade, Gestão de pessoas, Coordenação com os outros, Inteligência emocional, Julgamento e tomada de decisão, Orientação a servir, Negociação e Flexibilidade cognitiva. Esta é uma das diretrizes das Soft Skills mais relevantes, que por sua vez, podemos incluir outras habilidades como a Comunicação, Empatia, Autoconhecimento, Resiliência, Diversidade, Positividade e Gestão do tempo. 

Muitas destas habilidades eram consideradas inerentes à nossa personalidade, como a Criatividade, por exemplo. Acreditava-se que sujeitos criativos, nasciam assim, como um dom supremo presenteado somente a alguns escolhidos. Mas os estudos apontam para a possibilidade real de desenvolvermos cada uma destas Soft Skills, assim como nos debruçamos a desenvolver as Hard Skills, nos cursos de idioma, graduação e pós graduação. Aqui entra outra habilidade chave, a de aprendermos a aprender, já que estamos num processo constante de aprendizados.

Tenho pesquisado e atuado no desenvolvimento de Soft Skills nos últimos quatro anos e percebo que sim, podemos aprender a ser mais empáticos, criativos, comunicativos e resolver problemas de maneira mais assertiva. E só temos a ganhar com o desenvolvimento deste nosso potencial capital humano. Afinal de contas, não vamos querer competir com os robôs no quesito eficiência, não é mesmo?

O nosso diferencial está em sermos Humanos e todas as características que nos fazem Humanos, são as que encontram e encontrarão cada vez mais espaço, seja no mercado de trabalho ou nas nossas relações pessoais. Muitas vezes leio que estas são as habilidades do futuro ou as habilidades do século XXI, e como este século já começou a duas décadas, o futuro já é agora! Então não dá para ficar esperando sentado.

Se a transformação digital já chegou, é momento de nos transformarmos também.

Mulheres que correm com os lobos.

Chego às páginas finais deste livro que me acompanhou durante o ano. 

Eu já havia ensaiado sua leitura uma vez quando tinha 18 anos, na época, não passei da introdução. Na segunda vez, eu estava por volta dos 30, avancei até o início do primeiro capítulo, mas ele não me fisgou. 

Eu já havia esquecido dele, até que começou a aparecer na minha frente vários dias seguidos. Uma tarde entrei em um café em uma esquina do meu bairro e em uma mesa ao lado, quatro mulheres de idades diferentes estavam com ele em mãos. Notadamente devia ser o assunto do café delas. Alguns dias depois recebo um convite de uma amiga para um grupo de estudos deste livro, mas o horário não cabia na minha rotina. Entro na livraria e o primeiro livro que me chama a atenção: este. E para fechar este convite inusitado, estou almoçando e uma moça senta ao meu lado, com qual livro sobre a mesa? Sim, “Mulheres que correm com os lobos”.

Poderiam ser somente coincidências. Se você acredita piamente nisto, super entendo seu ponto de vista. Mas para mim, sempre que uma sequência destas me faz tropeçar em algo, paro e presto muita atenção. 

Bem, me entreguei ao convite e fui buscar a edição que estava esquecidinha na minha estante. Lembro de ainda pensar, “vamos ver se desta vez você me conquista”. E foi… fluiu feita água fresca naqueles dias quentes. As linhas da introdução escorreram pelos meu olhos. Devorei o primeiro capítulo e logo depois o segundo. 

Resolvi, ou melhor, senti, que deveria lê-lo sem pressa. E assim me permiti. Fui lendo cada capítulo ao seu tempo. E nestes pequenos espaços de tempo em que eu repousava o livro sobre a mesinha de cabeceira, estava a vida.

E ele voltava para acompanhar aqueles momentos de abajur ligado e chá de amora. Voltava para me lembrar do tanto que nós mulheres sabemos, la que sabe. Toda a infinitude de insights que muitas vezes esquecemos que já sabemos, mas aos nos depararmos com eles reavivamos a importância de  trazer à tona nossa própria consciência. 

E hoje fecho-o de novo. Reconhecendo em mim, uma mulher diferente daquela que leu sua primeira frase:

“Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas”.

E entre todos os contos que Clarissa Pinkola Estes narrou à luz dos arquétipos junguianos, das tradições pagãs, das filosofias antigas, das suas experiências como psicóloga, é impossível não me ver e ver tantas outras mulheres caminhando por entre  algumas daquelas linhas. 

Como entusiasta da criatividade que sou, foi aconchegante ver a força que esta habilidade imprime na autenticidade da alma feminina, surgindo como princípio da nossa essência, como caminho, como cura e como luz. 

Se me perguntarem: você recomenda este livro? Eu direi: experimente!

A leitura é mesmo uma magia, pois não são os livros que passam por nós, somos nós que passamos por eles. 

Não há despedida para um livro que tanto nos traz. O meu exemplar ficou todo destacado com cores, bilhetinhos em que guardei nossas conversas, marquinhas para destacar o que desejo relembrar, pronto para ser revisitado quando a vontade bater. Mas mesmo que se perca no tempo ou nas traças, este é, para mim, um daqueles livros dos quais levamos trechos copiados na alma. 

E assim terminou…

“Espero que vocês saiam e deixem que as histórias lhes aconteçam, que vocês as elaborem, que as reguem com seu sangue, suas lágrimas e seu riso até que elas floresçam, até que você mesma esteja em flor. Então, você será capaz de ver os bálsamos que elas criam, bem como onde e quando aplicá-los. É essa a missão. A única missão”.

Imagem: Editora Rocco

Portas

Outro dia li esta frase:

“Se a porta está fechada, esse não é o caminho”.

Quantas vezes já me vi gastando uma energia danada tentanto abrir a porta de uma idéia, um projeto, uma amizade ou um trabalho que, simplesmente, não se abriam.

Nosso corpo e nossa intuição tem uma sabedoria infinita. E quando paramos para escutá-los, eles nos dizem claramente se estamos diante de um caminho que é nosso ou não.


E vale lembrar, tudo bem se aquela não é a nossa porta! A gente já sai ganhando, muito, em ter esta consciência.

Isto não quer dizer que não devamos ter persistência! Mas sim, que é muito mais inteligente, investirmos nossa energia e criatividade nas portas que são verdadeiramente parte da nossa jornada.


E você, ainda parado em frente à porta que não é sua? Tem outras tantas para experimentar!! Bora espiar mais à frente?