Infoxicação

Por incrível que pareça, este neologismo não foi inventado agora. Foi criado pelo físico espanhol Alfons Cornellá em 1996, unindo as palavras informação e intoxicação, indicando um excesso de informação que não é “digerida” de uma maneira saudável e que pode acarretar em ansiedade, estresse, dispersão, entre outros males ao nosso corpo, mente e emoções.

Se ao final da década de 1990 este tema já fazia sentido, é perceptível que vinte anos depois faça ainda mais. Princialmente pela expansão da Internet e pelo modo como consumimos informação.

Além do fato da internet ter revolucionado os canais de divulgação de novos conteúdos, diluindo o poder detido pelas grandes mídias, alterando também a matriz de geração de informações. Ou seja, qualquer um pode produzir e divulgar informação, desde suas pesquisas, produtos e até mesmo fake news. Mas o foco deste post é sobre um tema correlato, é sobre como consumimos informação.

Se este universo emaranhado de informações tem estado, literalmente, na palma da nossa mão, de que maneira estamos aprendendo a gerir nosso consumo? Vale refletir sobre estes cinco aspectos:

  • O conteúdo que consumimos é relevante para nós?
  • Quanto tempo do dia passamos consumindo informação na rede?
  • Fazemos uso do pesamento crítico para filtrar o que consumimos e compartilhamos?
  • Sentimos algum efeito colateral (físico ou mental) deste consumo?
  • Como nossas emoções respondem às informações que estamos consumindo?

Acredito que não há dosagem correta que defina a quantidade indicada de informação para um dia. Somente nós podemos observar como anda nossa ingestão de fotos, memes, textos e vídeos para saber se ela está em níveis saudáveis ou tóxicos. A diferença entre comer um brigadeiro e uma panela dele é enorme; e, somente nós mesmos somos capazes de dimensionar o quanto podemos consumir, sem ter uma indigestão como resultado.

Não temos obrigação de saber tudo o que acontece no mundo a cada instante, até porquê não conseguiríamos mesmos. Estudos, como o realizado na Royal Society for Public Health mostram que as redes sociais podem ser ainda mais viciantes do que o álcool e o cigarro, por exemplo.

Além da quantidade, a qualidade das informações que devoramos também é relevante. Não só pela sua veracidade, mas pelo tipo de pensamentos e emoções que nos despertam. Observar o que nos “cai bem” ou não, é exercer o autocuidado. Eu já me peguei com pensamentos e emoções alterados depois de consumir uma série de informações sobre a política atual. Logo me peguei pensando, tudo bem ler para me manter informada, mas ler vários conteúdos sobre o mesmo tema não me fizeram saber mais. Então respirei, respirei de novo, desliguei a telinha e fui fazer algo que me trouxesse bem-estar, como brincar com meu filho.

Em outro post sobre Soft Skills, já destaquei que nos informarmos e adquirirmos novos conhecimentos são importantes para a resolução de problemas, pensamento crítico e criatividade. Mas equilíbrio é a palavra chave! Saber sobre o mundo que nos cerca e sobre nós mesmos é ótimo, mas viver é ainda mais estupendo!

Em tempos de distanciamento social, o consumo de informação tem sido uma companhia agradável para muitas pessoas. Aqui, a questão não é só destacar seu lado nocivo que pode gerar Infoxicação, mas sim te convidar a pensar no Consumo Consciente! Pensar sobre quanto tempo temos dedicado a consumir informação e em sua qualidade, é primordial para passarmos por este desafio do momento atual. Escolher o tipo de conteúdo que estamos lendo, vendo e ouvindo pode tanto nos ajudar a estar com as emoções mais harmonizadas, ou o contrário. Basta escolher qual estação desejamos sintonizar!

Fazer pausas para conectar com as pessoas que gostamos (mesmo que virtualmente), tirar um tempo para cuidar de si mesmo e da casa, sentir a natureza com o pé no chão ou regar a plantinha da sacada, olhar pela janela, escutar uma música ou também não fazer nada. Estas e tantas outras tantas opções estão a nossa disposição, a vida (definitivamente) não é só consumir, sejam produtos ou informação.

Lembrando que nem sempre mais é mais. As vezes, “mais” é só um acúmulo de coisas que vão lotar nossos armários da mente, mofar as emoções e nos deixar Infoxicados!

Libera espaço aí, respira e não pira!

Um abraço,

Ana Barcellos

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