Empatia

Dentro das Soft Skills elencadas pelo Fórum Econômico  Mundial está a Inteligência Emocional. Que descrita por Daniel Goleman, pauta-se em cinco pilares: conhecer as próprias emoções, controlar as emoções, automotivação, empatia e saber se relacionar interpessoalmente. 

Dada a relevância da Empatia nas nossas relações pessoais e profissionais, assim como o impacto positivo que o desenvolvimento desta habilidade pode gerar em nossas vidas, optei por descrevê-la com o destaque que merece. 

A empatia pode ser compreendida como a habilidade de compreender a necessidade do outro e de olhar o mundo pela perspectiva do outro.

No mundo corporativo, por exemplo, utilizar a ferramenta de Mapa da Empatia, ajuda a compreender quais as reais necessidades dos clientes externos e internos, para que assim definam-se soluções mais alinhadas com estas necessidades. 

Chuang-Tzu, filósofo chinês, afirma que “ouvir com os ouvidos é uma coisa, ouvir com o intelecto é outra. Mas ouvir com a alma não se limita ao único sentido”.

Sendo assim, a empatia surge quando deixamos de lado todos os julgamentos e todas os idéias preconcebidas. Passamos a respeitar, verdadeira e profundamente, o ser humano que está a nossa frente.

Então, ter empatia não é simplesmente ouvir, mas sim escutar atentamente, com a mente e o coração abertos.

Geralmente, ao ouvir o outro acabamos por aconselhar, contar histórias, encerrar o assunto, ficar se explicando, corrigir ou ainda iniciar um interrogatório sem fim. Na maior parte das vezes, este tipo de atitude não acontece por uma má intenção. Só que quando assumimos papéis de pseudo terapeutas, por mais bem intencionada que seja esta atitude, internamente estamos envoltos em um processo de julgamento. Quando, na verdade, o que precisamos é simplesmente: escutar.

Grande parte dos ruídos de comunicação surgem da falta de empatia por um dos interlocutores ou ainda, por ambos os lados. Muitas vezes, perdemos a oportunidade de sermos empáticos em função da nossa tendência inconsciente de buscar a compreensão intelectual durante a escuta. No momento em que sistematizamos a escuta simultânea à intelectualização, deixamos de nos conectar com as pessoas e suas palavras.

O tema central da empatia é a presença.

É esta presença real que diferencia a empatia de outros comportamentos ou habilidades como a compreensão mental e a solidariedade.

Outra tendência que nos afasta da empatia é perceber as mensagens recebidas como sendo ataques pessoais. Quando na verdade, a mensagem recebida pode ser apenas compreendida como meio de expressão dos sentimentos, das necessidades e dos pedidos do nosso interlocutor.

Contudo, só podemos dar ao outro aquilo que temos dentro de nós mesmos. 

Sem generalizações, observa-se que quando uma pessoa está com dificuldades de exercer empatia pelo outro, é muito provável que esteja carentes de receber esta mesma empatia. Teremos mais dificuldade em compreender as necessidades e sentimentos dos outros, quando a conexão com os nossos próprios sentimentos e necessidades está sendo desprezada, seja por nós mesmos ou pelas pessoas em quem confiamos. 

Ao recebermos esta presença e esta escuta ativa de nós mesmos,  começamos a praticar a auto-empatia. E assim, conseguimos ampliar esta habilidade para melhorar nossas relações com as outras pessoas também. A auto-empatia se refere à real atenção ao que acontece dentro de nós. Quanto mais nos tornamos hábeis em escutar o que sentimos e necessitamos, mais estamos preparados para escutar quem está o nosso redor.

Como qualquer outra habilidade, a empatia se fortalece pela prática.  Talvez, tenhamos dias em que conseguimos exercer uma maior empatia do lado de dentro e de fora. Talvez, em outros, a dificuldade seja maior. Mas a prática nos levará à maestria, e aos poucos vamos trazemos mais leveza a todas as nossas relações. 

Entrar em um estado de empatia revela que estamos tocando a nossa humanidade e a do outro, percebendo as qualidades que todos nós temos.

Se a empatia é presença,  desejo que possamos presentear, cada vez mais, aos que nos cercam e a nós mesmos com esta habilidade.

Um abraço, 

Ana Barcellos

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