Autoconhecimento

Resolvi começar por esta Soft Skill, pois acredito que o primeiro passo para buscarmos o desenvolvimento de nossas habilidades deve ser o de olhar para dentro de nós mesmos e observarmos o que já trazemos dentro da nossa bagagem. 

Comecei no caminho do autoconhecimento ainda na adolescência, observando as inúmeras transformações que aconteciam nesta idade, sempre buscando compreender quais eram as características que me definiam e como eu poderia me relacionar melhor comigo e com o mundo externo. E como a curiosidade sempre foi um das minhas características, esta jornada vai se intensificando a cada passo, já que com a maturidade vamos olhando nossa história e o mundo com outros olhos.

O autoconhecimento pode ser compreendido como a habilidade que desenvolvemos ao trazer a consciência as nossas fraquezas e virtudes e, assim, realizamos nossas escolhas sabendo que cada tomada de decisão está ligada à nossa história, crenças, valores, medos, bloqueios, hábitos, buscas e gostos. Deste modo, passamos a compreender como pensamos, como agimos, o que sentimos e como nos relacionamos com o eu e com o outro. 

Investir no autoconhecimento é ter retorno garantido. Já que, no momento em que nos conhecemos com profundidade, somos capazes de dimensionar o que move cada uma das nossas decisões e assim aproximá-las do caminho que nos leva onde, verdadeiramente, queremos estar.

Nesta balança entre virtudes e fraquezas, em geral, as pessoas tendem a se focar muito mais nas fraquezas. Faz parte da construção social, darmos foco naquilo que precisamos aprimorar, no que podemos fazer melhor, no que ainda não temos ou somos. Não há nada de errado em olharmos com sinceridade para estas dificuldades, encaramos o fato de que somos imperfeitos e assim definirmos o que precisamos desenvolver para alcançar nossos objetivos. Umas das formas de identificar as fraquezas é responder sobre quais tarefas temos maior dificuldade em realizar, que tipo de conteúdos custamos a aprender e quais atividades acabamos nos esquivando sempre que possível. Estas respostas dão algumas dicas de onde residem nossos desafios pessoais. Todo este processo deve ser acompanhado de autoaceitação e autorresponsabilidade, evitando que sejamos críticos exacerbados ou que acabemos por empurrar a responsabilidade destas limitações para outras pessoas.

Imagine-se cometendo um erro no trabalho. Você pode escolher entre ficar se martirizando, se sentindo diminuído e até paralisando. Ou pode optar aprender com este erro e desta maneira identificar o motivo dele ter ocorrido e corrigir na próxima tentativa. Imagine-se tendo uma explosão de raiva e magoando alguém que ama. Você pode sentir-se envergonhado, dominar-se pelo orgulho e não pedir desculpas. Ou pode entender o que motivou esta raiva, aprender a gerenciar suas emoções e desenvolver formas de expressar o que sente de maneira mais harmônica. 

Somos nós quem escolhemos onde depositamos nossa atenção e nossa energia. Lembrando que o que concentra seu foco, expande! 

Da mesma forma, é importante investirmos nossa atenção e foco nas virtudes já estabelecidas. Visto que, se só observarmos os nossos pontos fracos, a possibilidade de nos sentirmos incapazes e infelizes aumenta consideravelmente. Em vez de só focarmos no que nos falta, podemos também reconhecer as nossas forças, saindo de uma mentalidade de escassez para uma mentalidade de abundância. Lembrando, que o equilíbrio é palavra de ordem. Você também não estará se desenvolvendo se observar somente seus talentos e virtudes, acreditando que não há nada que possa evoluir em sua vida pessoal ou profissional

Observar nossas virtudes é um desafio tão grande quanto olhar para o outro lado. Trazer à consciência os nossos talentos e qualidades é também um processo de autoconhecimento, já que assim podemos aproveitar melhor nossas forças e também estruturar maneiras de ampliá-las. Algumas pessoas relatam que se sentem bloqueadas quando são convidadas a elencar suas reais qualidades. Para ajudar a identificar quais são as suas, reflita sobre quais atividades você tem prazer em realizar, aquelas que em que você não vê o tempo passar. Pense sobre os elogios que você recebe e sobre as atividades que seus colegas e pessoas próximas pedem sua ajuda ou conselho. Identifique também o que você costuma aprender com facilidade. Ao reconhecer algo que fazemos bem, somos capazes de identificar quais as habilidades empregadas para este fim. 

Ao identificar suas qualidades humanas, abuse do seu uso. Nada de deixar aquele talento e virtude empoeirando na gaveta, seria um desperdício. Quanto mais fizermos uso das nossas virtudes, mais potencializamos nossas forças. Quando enxergamos o que brilha em nós mesmos, passamos a enxergar melhor o que brilha no outro e assim tornamos nossas relações profissionais mais eficazes e nossa vida pessoal mais leve. 

Após estes dois exercícios, você já pode aproveitar para montar uma lista das suas principais virtudes e fraquezas, tomando ciência de que pode cultivar e potencializar sua relação consigo mesmo, com o trabalho, com as pessoas a sua volta e com a vida. Mas esta é só uma breve pincelada entre todos os caminhos que podemos utilizar para nos conhecermos melhor. Seja por meio de livros, filmes, conversas, cursos, meditação, ferramentas estruturadas ou do auxílio de profissionais,  lembre-se sempre que o mais importante é fazer este mergulho de alma e mente abertas, sem julgamos e com muita auto-compaixão.

Esta é uma jornada e tanto, daquelas infinitas e eternas, mas diferente de algumas em que o pote de ouro está só no fim da estrada, o autoconhecimento nos presenteia com tesouros espalhados por todo o caminho. 

Eu te desejo iluminados passeios aí por dentro!

Ana Barcellos

4 comentários em “Autoconhecimento

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