A indústria e os setores criativos.

     Seguindo a variedade de modelos que norteiam os estudos da Economia e da Indústria Criativa, faz-se necessários definir com exatidão os métodos a serem utilizados, já que não existem caminhos certos ou errados a serem trilhados neste aspecto. Neste sentido, é relevante que os setores que compõe a indústria criativa respeitem o conhecimento tradicional e cultural de cada país. Segundo o Relatório de Economia Criativa de 2010 elaborado pela UNTAD, a Industria Criativa é definida pelos seguintes pontos:

São os ciclos de criação, produção e distribuição de produtos e serviços que utilizam
criatividade e capital intelectual como insumos primários; constituem um conjunto de
atividades baseadas em conhecimento, focadas, entre outros, nas artes, que  potencialmente geram receitas de vendas e direitos de propriedade intelectual; constituem produtos tangíveis e serviços intelectuais ou artísticos intangíveis com conteúdo criativo, valor econômico e objetivos de mercado; posicionam-se no cruzamento entre os setores artísticos, de serviços e industriais; constituem um novo setor dinâmico no comércio mundial“. (UNTCAD)

     Com o passar de mais de duas décadas de debates e estudos sobre a Indústria Criativa ao redor do mundo, percebeu-se que estas indústrias não podem ser observadas de maneira isolada, de modo que ao analisar o entorno destas atividades econômicas, perceberam-se que importantes questões foram levadas em consideração, como: a capacidade de gerar valor para as indústrias que as cercam, seu potencial na geração de emprego para os profissionais que detém conhecimentos e habilidades especializadas, além de articular com níveis mais elevados de educação; a habilidade destas indústrias em revitalizar as cidades e seus povos; e também, proporcionar experiências coletivas entre as comunidades e seus indivíduos. (BOP, 2010)

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Foto por rawpixel.com em Pexels.com

 Assim, os estudos da Federação da Indústria do Rio de Janeiro – FIRJAN, apontam para um desmembramento da Cadeia da Indústria da Economia Criativa em três grandes categorias: núcleo criativo: formado pelas atividades econômicas que dispõe das ideias criativas como seu insumo central na geração de valor; atividades relacionadas:  representada pelos fornecedores de bens e serviços fundamentais para o desenvolvimento das atividades do núcleo; e apoio: fornecem bens e serviços de forma indireta ao núcleo. (FIRJAN, 2012)

     Estas categorias apontam para um alcance ainda maior da Indústria Criativa, que em alguns momentos é entendida somente como o conjunto dos setores que fazem parte do núcleo criativo. A distribuição dos setores da Indústria Criativa é elencada de acordo com as características e especificidades de cada modelo e, também, de cada país. A seguir são apresentadas as Indústrias que fazem parte deste escopo.

 

indústrias

Fonte: Adaptado de Firjan.

     No Brasil, a discussão da Economia Criativa, começa a tomar forma no começo do século XXI. E desde então, o número de estudos acadêmicos, debates empresariais e políticos tem germinado no país. Em estudo realizado por Dalla Costa e Santos-Souza (2011, P. 156) foram delineados quatro grandes desafios para o desenvolvimento das atividades criativas no país. São eles: a ausência de pesquisas mais aprofundadas nos diversos setores desta economia, possibilitando o reconhecimento das vocações nacionais e das oportunidades, assim como fornecendo subsídios para a gestão de políticas públicas; baixa disponibilidade de recursos financeiros voltados ao financiamento de empreendimentos e de desenvolvimento de tecnologias sociais que promovam a organização em redes e coletivos, elevando assim a articulação das experiências existentes; tímido investimento em capacitação no capital humano atuante nas cadeias produtivas criativas; e, por fim, baixa infraestrutura voltada à produção, distribuição e consumo dos bens e serviços produtivos.

     Por certo, não são poucos os desafios a serem superados. Entretanto, como mostram as experiências de outros países como Grã-Bretanha, o alinhamento e combinação das ações públicas e privadas, podem construir um terreno ainda mais fértil para a Economia Criativa no país. E uma das formas de identificar estes desafios, bem como as oportunidades, é por meio da realização de estudos de mapeamento. Estes, geram uma riqueza de informações indicando os setores mais e menos promissores, que proporcionam uma base mais sólida para a tomada de decisão e para a definição de estratégias de crescimento e vantagem competitiva, tanto do país, como dos estados e cidades.

Por: Ana Barcellos

Este texto traz recortes do artigo A ECONOMIA CRIATIVA CATARINENSE:UMA ANÁLISE DO TRABALHO CRIATIVO EM SANTA CATARINA, publicado na Revista de Extensão e Iniciação Científica UNISOCIESC , v. 2, p. 01-20, 2015.

Acesse o artigo completo aqui.

 

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