O framework da Economia Criativa.

     Entende-se que o construto da Economia Criativa é precedido por outros termos como o da indústria cultural, da economia cultural e da indústria criativa. Esta última oriunda do trabalho intitulado Creative nation: commonwesth cultural policy, elaborado em 1994, pelo Departamento de Comunicação e Artes do governo australiano, o qual tratava a política cultural como peça chave para a criação de riqueza, agregação de valor e geração de emprego para o país (JÄGER, 2014).

     Ainda na década de 1990, o governo britânico convidou doze representantes de instituições públicas e dez conselheiros do setor privado, para analisarem as contas nacionais e para que fossem desenhadas novas estratégicas que propusessem uma maior competitividade ao país. Deste estudo, foram levantados os treze setores com maior potencial competitivo para o país. Em comum, estes setores tinham a Criatividade como diferencial (REIS, 2011).

     O exemplo Britânico tornou-se paradigmático, pois contextualizou o programa de indústrias criativas como uma alternativa ao cenário socioeconômico pós-industrial, ao identificar os setores com maior vantagem competitiva, tornou-se prioridade das políticas públicas a criação de mecanismos que pudessem fortalecê-los, com uma parceria ativa do setor privado, tirou-se o foco da criatividade como insumo exclusivo do setor cultural e passou a observá-la por meio da contribuição das indústrias criativas no total de empresas e na geração de emprego; foi criado programa denominado Creative Britain ou ainda Cool Brittania, com o intuito de atrair e reter os talentos criativos, tornando a Grã-Bretanha o maior polo criativo do mundo (REIS, 2011). Ainda, sobre a importância da Economia Criativa no cenário contemporâneo, observa-se que esta deve ser analisada sob a mescla entre os preceitos da cultura e da economia. E nos resultados desta sobreposição, materializados nos bens e serviços forjados pela criatividade, talento e habilidade. (BEZERRA et al., 2012)

     O inglês John Howkins foi o precursor das pesquisas e publicações em Economia Criativa, afirmando que a “criatividade não é nova e nem é a economia, mas o que é novo é natureza e a extensão da relação entre eles e como eles combinam extraordinariamente para criar” (OLIVEIRA, 2013, p.6). Em seu livro Economia Criativa – como ganhar dinheiro com ideias criativas, Howkins chama a atenção para a importância da propriedade intelectual, dos direitos autorais e das patentes como diferenciais da indústria criativa, pois estes temas garantem o pertencimento dos fatores
intangíveis aos desenvolvedores dos produtos criativos. Este autor, observa que “Somos animais criativos, homo creator, porém nossa criatividade nem sempre leva a um produto criativo. A equação criativa lida apenas com produtos criativos, não a criatividade e diferencia um produtivo de uma transação”.

      Entretanto, como citado, o entendimento da Economia Criativa difere do ponto de vista de seu observador. Enquanto Howkins infere a indústria criativa como o centro do surgimento e da compreensão mais ampla dos temas que envolvem a Economia Criativa, autores, como Florida, realocam o foco nas profissões (pessoas) e no ambiente (locus) da criatividade. (MADEIRA, 2014). Ou seja, centra-se a criatividade ligada ao sujeito da criação, observando suas habilidades e competência criadoras, de forma que

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Foto por rawpixel.com em Pexels.com

“a criatividade no mundo do trabalho não está limitada a membros da classe criativa.  Trabalhadores de fábricas e até prestadores de serviço menos qualificados sempre foram criativos de alguma maneira útil. Sem falar que o conteúdo criativo de muitas funções associadas à classe trabalhadora e à classe de serviços vem crescendo – exemplo disso são os programas de melhoria contínua de várias fábricas, que convidam operários a contribuir também com ideias. Baseado em tendências como essa, suponho que a classe criativa, ainda em ascensão, continuará a crescer nas próximas décadas à medida que atividades econômicas mais tradicionais se tornem suas funções”. (FLORIDA)

     A Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento – UNTCAD é um órgão da ONU, que reúne 192 países, com o objetivo de alinhar as relações entre comércio global e desenvolvimento. O primeiro evento aconteceu em 1964. Em 1998 o tema da Economia Criativa – EC passa a ser pauta da Conferência e em 2004, na XI Conferência realizada em São Paulo, tem-se a legitimidade da EC instaurada nos discussões econômicas e políticas dos países do Sistema ONU. Segundo o Relatório da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento – UNTCAD de 2010, entende-se também que o conceito de economia criativa “é um conceito em evolução baseado em ativos criativos que potencialmente geram crescimento e desenvolvimento econômico” (UNTCAD, 2010).

     Dentro dos debates que orientaram o Relatório, entende-se que a intersecção da criatividade com a cultura, a economia e a tecnologia geram fluxos de capital intelectual que potencializam a geração de emprego e renda, além de atuarem como focos de promoção da inclusão social, da diversidade cultural e, também, do desenvolvimento humano. Estes são os resultados concretizados pela emergente Economia Criativa (UNTCAD, 2012).

     Assim como citado, o delineamento da definição de Economia Criativa não pressupõe uma definição estática entre os autores, que optam por citá-la com um conceito em construção, que permeia um grupo de caraterísticas que se mesclam. Nestas características pode-se destacar as seguintes: reconhecimento do valor agregado dos ativos intangíveis, complementariedade das políticas cultural, tecnológica e econômica e das ações com ou sem apelo comercial; expansão do conceito de cadeia setorial para o de redes de valor integradas; e, inserção das tecnologias digitais como espinha dorsal da criação, produção, circulação e/ou consumo criativo. (REIS, 2011).

 

Por: Ana Barcellos

Este texto traz recortes do artigo A ECONOMIA CRIATIVA CATARINENSE:UMA ANÁLISE DO TRABALHO CRIATIVO EM SANTA CATARINA, publicado na Revista de Extensão e Iniciação Científica UNISOCIESC , v. 2, p. 01-20, 2015.

Acesse o artigo completo aqui.

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